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Acupuntura Oncológica e seus mecanismos de ação.

Atualizado: 10 de out. de 2023

Nos últimos anos a acupuntura vem sido indicada comumente dentro da pratica clinica como adjuvante nos cuidados oncológicos devido a sua eficácia comprovada em aliviar os efeitos colaterais do tratamento antineoplásico.


Após ter sido estabelecido em consenso no National Institute of Health (NIH) Conference, que a acupuntura foi considerada muito útil como terapia auxiliar ao tratamento, e sendo assim a partir de 1997 iniciou um aumento de interesse na área da acupuntura oncológica.


Relatos demonstram que há uma tendência dos pacientes com câncer procurarem terapias complementares visando uma melhor qualidade de vida e de tratamento.


A Acupuntura tem como mecanismo de ação uma reposta do sistema neuroendócrino, através da estimulação do sistema nervoso periférico e central. No momento em que a agulha penetra no corpo, ocasionando uma liberação de neurotransmissores opioides, como as endorfinas, e de monoaminas, como a serotonina.


Estudos de neuroimagem com ressonância nuclear magnética funcional (RNM), PET-CT e Eletroencefalograma (EEG) demonstram o estimulo de áreas cerebrais especificas com o uso da Acupuntura, dentre elas o sistema límbico, amígdala, hipocampo, hipotálamo, entre outras, o que explica o seu efeito abrangente e induzindo a uma sensação de bem estar e mudança na percepção e tolerância à dor.


Inúmeros estudos científicos e clínicos têm demonstrado o papel da Acupuntura no alívio de náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia e a radioterapia.


Estudos apontam evidências da eficácia da Acupuntura nos sintomas de neuropatia periférica induzida por quimioterapia (formigamento, dores e perda de força nas extremidade), na dor e na fadiga relacionadas ao câncer, na xerostomia (boca seca) induzida pela radioterapia e nas dores articulares e musculares induzidas por inibidores da aromatase (uma classe de hormonioterapia).


Constata-se, ainda, o aumento no número de estudos para o tratamento da leucopenia/neutropenia (diminuição de defesas) induzida por quimioterapia. Com a acupuntura, parece haver a ativação de diferentes mecanismos de defesa, incluindo macrófagos, neutrófilos, estimulação de células natural killer (NK) e linfócitos e produção de imunoglobulinas.


O uso da Acupuntura também está descrito no tratamento de sintomas muito comuns na rotina oncológica como: sintomas vasomotores (fogachos), insônia, ansiedade e depressão.


A Acupuntura é um tratamento seguro, quando realizado por profissionais qualificados. Não há contraindicação para sua aplicação durante o tratamento com quimioterapia.


Cada aplicação dura, em média, trinta minutos durante uma consulta de 60 minutos. O ideal é que o tratamento seja feito durante e depois do tratamento do câncer. Alguns sintomas requerem mais tempo para a adequada manutenção. Em muitos casos, sua utilização pode diminuir a necessidade de medicamentos ou o efeito colateral dos mesmos.


No cenário atual, onde se busca, cada vez mais, uma Medicina Integrativa, visando minimizar a dor e o sofrimento durante o tratamento oncológico, a Acupuntura vem para somar, visto que auxilia na redução da dor, dos efeitos colaterais do tratamento e a melhora da qualidade de vida dos pacientes.



Referências

Lu, W., Rosenthal, D. S., & Acquaye, A. A. (2016). Integrative oncology: an introduction. In Integrative Oncology (pp. 1-8). Oxford University Press.

Lee, M. S., Shin, B. C., & Ernst, E. (2009). Acupuncture for cancer pain: a systematic review. The Clinical Journal of Pain, 25(3), 244-255.

Crew, K. D., Capodice, J. L., Greenlee, H., Brafman, L., Fuentes, D., Awad, D., ... & Hershman, D. L. (2007). Randomized, blinded, sham-controlled trial of acupuncture for the management of aromatase inhibitor–associated joint symptoms in women with early-stage breast cancer. Journal of Clinical Oncology, 25(25), 3340-3346.
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